Um ensaio clínico conduzido no Brasil acompanhou por dois anos um grupo de idosos com função cognitiva preservada e observou mudanças após um programa estruturado de estimulação. A iniciativa envolveu 207 participantes divididos em três grupos: um submetido ao treinamento cognitivo durante 18 meses, outro que recebeu orientações sobre envelhecimento e um terceiro que não recebeu intervenção, limitando-se às avaliações.
O trabalho utilizou o programa SUPERA® Cognitive Stimulation Study, desenvolvido no país. Como resultado, houve redução da sensação de prejuízo cognitivo, melhora na fluência verbal fonêmica e ganhos nas funções executivas, ligadas ao planejamento e à resolução de problemas. Ademais, os participantes indicaram melhora na percepção da qualidade de vida e diminuição do impacto da depressão.
Parte desses efeitos se manteve mesmo após o fim das atividades. Seis meses depois do encerramento, os participantes ainda apresentavam desempenho superior em algumas medidas cognitivas.
Para estimular diversas capacidades cognitivas, o programa combinou exercícios escritos, ábaco (ferramenta de cálculo manual), jogos, dinâmicas em grupo e práticas online.
Por fim, os pesquisadores salientam que essa estimulação pode começar em qualquer fase da vida, prevenindo o declínio antes mesmo dos primeiros sinais. Isso fortalece a reserva cognitiva, mecanismo associado à maior resistência do cérebro ao envelhecimento.
