O uso excessivo de telas, um problema que transcende a infância e afeta os adultos, prejudica os vínculos familiares e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. É o que pontua o pediatra Daniel Becker, que reuniu vários dados sobre o tema.
A análise dos achados revela que o uso excessivo de celulares é uma realidade global, com 97% dos adultos tendo dispositivos móveis, que são verificados quase 100 vezes por dia. Segundo a Pew Research (2023), quase 50% dos adultos não consegue imaginar a vida sem seus smartphones. No Brasil, a situação se destaca, pois passamos, em média, mais de 9 horas por dia na internet, sendo 5 horas em celulares, com cerca de 3 horas e 31 minutos nas redes sociais e Whatsapp (Relatório Digital 2024).
O impacto na parentalidade é significativo. Pais verificam seus telefones, em média, 70 vezes durante o tempo de convívio com os filhos, interrompendo 65% das interações (Journal of Child Development, 2024). A dependência de telas entre pais resulta em uma redução de 28% na interação verbal com os filhos, e uma queda de 41% na comunicação durante as refeições. Além disso, o uso de celulares ao dirigir aumenta em 400% o risco de acidentes, de acordo com a OMS (2023). No Brasil, 33% dos motoristas confessam utilizar o celular enquanto dirigem, o que está associado a cerca de 57% dos acidentes de trânsito envolvendo indivíduos de 20 a 39 anos, segundo a ABRAMET.
Para combater o uso excessivo de telas, Becker recomenda, inicialmente, desativar as notificações. É igualmente fundamental desenvolver o autocontrole. Quando a vontade de pegar o aparelho surgir, pare e se pergunte o porquê. Se estiver sentindo "tédio", resista e procure outras alternativas. Estabeleça horários livres de telas, especialmente durante refeições e antes de dormir, e priorize atividades que promovam a interação familiar, como conversas, jogos e passeios. Além disso, incentive a leitura e a contação de histórias.
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