Um estudo recente coordenado pelo cientista Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observa um fator de risco para o declínio cognitivo no Brasil: a escolaridade. Utilizando inteligência artificial para examinar os dados do Estudo Longitudinal da Saúde do Idoso (ELSI), a pesquisa demonstrou que a educação no início da vida exerce um impacto considerável na saúde cerebral na idade adulta.

Zimmer argumenta que a desigualdade educacional no país afeta a 'reserva cognitiva', a aptidão cerebral para se recuperar de complicações. Quanto mais conexões neurais são formadas por meio da educação, maior a resiliência cerebral. A disparidade na educação brasileira, contudo, eleva a probabilidade de declínio cognitivo em indivíduos com menor escolaridade.

Embora o estudo de Zimmer não tenha analisado diretamente o risco de demência, ele investigou o declínio cognitivo e a perda de funcionalidade, ambos ligados à condição. A pesquisa revelou que  educação limitada é o maior fator de risco para o comprometimento cognitivo, enquanto problemas de saúde mental aumentam significativamente o risco de perda de funcionalidade.

O envelhecimento da população brasileira, com um aumento de 60% no número de idosos nos últimos anos, torna a pesquisa de Zimmer ainda mais relevante. Diante de 40 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, é fundamental compreender como abordar as doenças cerebrais que acompanham o envelhecimento.

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