Uma das primeiras pessoas que conhecemos na vida é o fonoaudiólogo. É ele que, na maternidade, realiza o teste da orelinha, exame que o recém-nascido faz para identificar se tem ou não perda auditiva. Esse é apenas um dos muitos exames auditivos que a fonoaudiologia faz. E a área responsável por esses testes é a Audiologia. A maioria dos exames precisa de uma estrutura específica, como cabine acústica, então requer um ambiente próprio. Outra área de atuação do profissional de áudio é a reabilitação vestibular. É ajudar pessoas que sentem tontura, tem dificuldade para se manter equilibrado. 

A audiologia é uma das mais de 10 áreas da fonoaudiologia. Vou falar sobre algumas, porque cada uma delas é muito vasta. O especialista em áudio não é o único fonoaudiólogo que nos visita na maternidade. Há também aqueles que atuam em Motricidade Oromiofacial. No dia a dia, usamos a sigla M.O. para simplificar. Na maternidade, o profissional de M. O. orienta as mães a como amamentar corretamente. Por que isso é importante? Porque se a criança não estiver na posição correta, pode ter infecção no aparelho auditivo. Além disso, ela pode não se alimentar corretamente, resultando no desmame antes do tempo. Ou seja, a amamentação incorreta faz com que o vínculo mãe-bebê, que deveria ser algo afetuoso, se torne uma experiência dolorosa. O bebê sente fome, a mãe sente dor física. 

Essa é apenas uma das facetas do profissional de M. O. Ele trata de diversas funções. Ele ajuda na respiração, sucção, mastigação, deglutição, expressão facial e articulação da fala. 

De fato, é uma área tão ramificada que ganhou uma especialidade própria, a Disfagia, a alteração no ato de engolir alimentos, água, saliva... Isso pode ocorrer devido a AVC, TCE, demências, pessoas que ficaram muito tempo entubadas no hospital, dentre muitas outras. 

Audiologia e M.O. mostram que o  fonoaudiólogo passeia por várias áreas. E lugares. Muitos lugares, na verdade. Como mostra a Fonoaudiologia Educacional, que auxilia tanto alunos quanto professores. Há também a Fonoaudiologia do Trabalho, na qual desenvolvemos programas de prevenção ocupacional para garantir que os funcionários não tenham risco de prejudicar sua audição, por exemplo.

Tudo isso mostra que boa parte da nossa atuação é voltada para a prevenção de problemas. Aliás, se dizem que quem canta seus males espanta, então a fonoaudiologia faz muita gente feliz, porque nós também atuamos na área da voz. Uma pessoa com alteração na voz pode ficar rouca, ter um tom abafado, pode ser um adulto com voz incompatível com sua idade, dentre outras questões. Na clínica, atendemos muitas pessoas que usam a voz profissionalmente. Sim, há os cantores e cantoras, mas também precisam de ajuda jornalistas, vendedores, advogados etc. Eles precisam ter uma rotina de cuidado vocal, que envolve aquecimento e desaquecimento de voz, porque senão a voz deles acaba antes do final do dia. 

Essas questões remetem a comunicação. E uma área de grande demanda é a Linguagem. Esse profissional atua tanto na comunicação oral quanto na escrita. Ou seja, o  fonoaudiólogo não trabalha apenas com o aspecto sonoro, mas com tudo que favorece a expressão e a compreensão. Nós ajudamos desde crianças que têm dificuldade para falar algum som específico, como trocar o /r/ pelo /l/, quanto casos mais desafiadores, como pessoas que não verbalizam. 

Outra área de atuação do  fonoaudiólogo é a saúde coletiva. Nós fazemos promoção, prevenção, educação e intervenção. Fazemos oficinas, tanto em postos de saúde quanto em escolas, fazemos triagem, atuamos juntamente com outras especialidades da saúde etc. 

Essas são algumas das nossas áreas de atuação. Mas há muitas outras, como Gerontologia, Perícia, Fluência… É importante frisar que, apesar dessas divisões, essas áreas estão conectadas. Uma criança que não escuta bem terá dificuldades para falar. Quanto antes esse problema for identificado, melhor. Muitas vezes, inclusive, uma criança é apontada como um aluno ruim, alguém disperso, mas ele pode simplesmente não compreender o que está sendo dito, e por isso não presta atenção. 

Outro exemplo. Eu comecei falando do teste orelhinha, mas também fazemos o teste da linguinha. Esse exame identifica problemas de mobilidade da língua, algo que é popularmente conhecido como língua presa. Se eu tiver dificuldade para mexer a língua, provavelmente terei dificuldade para falar alguns sons. Eu vou falar que nem o Cebolinha, por exemplo.

Para sintetizar, sempre que me perguntam o que um fonoaudiólogo faz, eu digo que ele se dedica a algumas das práticas que mais trazem satisfação ao ser humano: falar, cantar e comer.